Pelo menos uma em cada três instituições privadas de ensino superior registrou queda superior a 20% na captação de novos alunos em cursos EAD no primeiro trimestre de 2026, segundo pesquisa do Instituto Semesp. No total, 55,9% das instituições tiveram redução no número de ingressantes, com queda média de 16,2%. É a primeira vez desde 2022, quando o levantamento começou, que o índice aponta redução — uma virada depois de anos de crescimento exponencial, que chegou a 700% no número de cursos.
O movimento está diretamente ligado às novas regras do MEC, que proibiram cursos totalmente online em áreas como Pedagogia, Saúde, Engenharias e Licenciaturas, criando a modalidade semipresencial. Nela, no máximo 50% da carga horária pode ser a distância, sendo 30% presencial e 20% síncrona remota. A medida torna os cursos mais caros tanto para as instituições quanto para os alunos, o que ajuda a explicar a queda na procura. Prova disso é que 56% das instituições disseram que a captação nos novos cursos semipresenciais ficou abaixo do esperado.
O cenário contrasta com o de 2025, quando o Brasil passou a ter mais alunos em EAD (5,19 milhões) do que no presencial (5,03 milhões). De um lado, parte do setor defende o modelo como alternativa para cursos mais baratos — com mensalidades abaixo de R$ 100 — e com potencial de atender quem precisa conciliar trabalho e estudo ou mora em regiões remotas. De outro, especialistas questionam a baixa qualidade, a estrutura precária e o pouco apoio ao aluno. Dados do Enade reforçam essa crítica: 60% das Licenciaturas a distância tiveram nota 1 ou 2 na última avaliação.
